Texto postado em Imbecil e Inexperiente no dia 11 de janeiro de 2012.

E mais uma vez venho escrever nisto aqui, após uma era de marasmo mental. Se eu vou desejar um feliz 2012? Não. Seria hipocrisia demais da minha parte. Desejo um feliz ano novo apenas para aqueles que gosto. Se duvidar, eu nem te conheço. Mas vamos ao assunto do dia, ou da noite, da tarde, da manhã, da madrugada... Aliás, se você estiver lendo isto de madrugada, sugiro que acesse o XVideos. Enfim...

Há anos aprecio alguns animes, mangás, heróis japoneses, séries, filmes, e o trabalho de alguns ídolos comediantes. E há poucos anos a "comunidade de fãs" de algumas dessas coisas as quais desfruto, por assim dizer, era bem pequena. Os animes, mangás e heróis japoneses que eu gostava não eram "mainstream" o suficiente para terem uma base sólida de fãs estabelecida. E na época ainda não existiam as famosas marias-comédia. Aliás, elas só existem hoje porque comediantes como Danilo Gentili estão cagando dinheiro. Que fique claro que isto não é uma crítica ao Danilo - como se eu fosse íntima dele, piff. Eu daria tudo pra ter o talento dele, e daria pra ele também. Brincadeiras e fatos à parte...

Procurei na internet comunidades de fãs das coisas as quais gostava. Encontrei poucas. E quando encontrava, eram fóruns abandonados. Tentei criar uma comunidade, sem sucesso. Então, desencanei, continuei gostando dessas coisas e toquei minha vida pra frente, sem fandom algum.

Anos depois surgiu algo chamado Tumblr: a maneira mais fácil de todas de se fazer um blog. Por isso aquele bando de emos chorões e cagalhões que publicavam textos de qualidade duvidosa no Blogger (ou no Wordpress, para os mais metidos a cult e bons demais para a ralé do Blogger) desapareceu. Todos eles ficaram mais velhos e agora migraram para o Tumblr, onde a hipocrisia e o sentimentalismo se reúnem em um antro de cus adocicados.

Antes de chegar ao meu ponto, que fique escrito o perfil desses "emos evoluídos" de tâmbler. A maioria são garotas de idade entre 12 e 18 anos, geralmente com a descrição que pode seguir os padrões abaixo:

  1. Fulana. Café, Beatles, sarcasmo, fotografia, bipolar, filmes antigos.
  2. Fulana, uma garota sentimental e depressiva diferente das outras.
O Tumblr é um inferninho de emoções baratas. E sim, com o diminutivo, porque tudo lá é bonitinho, sentimentalista e hipócrita. Dali, pouca gente se salva... Pouquíssima. Foi justo nesse lugarzinho carregado com glicose anal adolescente e hipocrisia (afinal, onde está a diferença, já que quase TODO mundo se descreve da mesma forma?) que infelizmente descobri os fandoms que eu procurava.

Descobri que haviam outras pessoas que compartilhavam de muitos dos meus gostos e interesses. Passei a seguir vários usuários (ou usuárias) que gostavam de animes e mangás não tão conhecidos, de séries e de humoristas como Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Cia. Barbixas de Humor, Marcelo Adnet, entre outros.

A princípio, gostei. Gostei mesmo, me identifiquei, pensei até que havia encontrado pessoas que não fossem cuzonas demais. Mas para o meu desgosto, me enganei profundamente.

Tudo farinha do mesmo saco. Vez ou outra me deparo com postagens irritantemente emotivas, que sem conexão alguma, enfiam Deus, garotos, sentimentos, saudades, café e falsa bipolaridade numa imagem só. E sem um motivo sequer. Coesão e coerência praticamente não existem lá. Apesar que também não existem nos meus textos... Maaaaaaas...

Minha dashboard foi infectada com o vírus mais nefasto e viado de todos: as declarações de amor aos ídolos. Se fossem declarações do tipo "te admiro no que faz e no que é, me inspiro em você e yadda yadda yadda", tudo bem, é normal. Repito: é normal. Mas não. Elas (porque um viado, por mais viado que fosse, não se submeteria a tanta viadagem) publicam verdadeiras declarações de amor platônico doentio em quantidade ridiculamente exorbitante.

São imagens editadas no Photoshop (que não são obras de arte, apenas muda-se a tonalidade das cores), acompanhadas de frases que não possuem nenhuma conexão entre si: "minha vida não faria sentido sem você", "você é a razão do meu viver", "você me faz feliz nos momentos mais tristes" e todo esse mimimi.

Agora eu pergunto: se essas gurias têm problemas sérios, sim ou com certeza? Elas estão amando demais caras que sequer sabem da existência delas. E sim, há um limite para amar alguém. Neste caso, é quando essas gurias consideram mais os ídolos do que Jesus Cristo, sendo que muitas delas reblogam postagens com mensagens do tipo "quem seria eu sem Jesus?" e yadda yadda yadda...

Se eu reblogo essas imagens? Só as que não passam nenhuma mensagem. E se algum dia rebloguei uma dessas imagens, foi só pela foto. A diferença é que não saio por aí fazendo declarações anônimas a um cara só porque ele me faz rir. Enfim, elas têm problemas e deveriam consultar um psicólogo, porque isso é qualquer coisa, menos normal.

E elas têm uma certa antipatia por mim, talvez porque não sou tão retardada como elas. Vejo elas conversarem com um pequeno entusiasmo com outras usuárias, mas quando puxo conversa nas asks, nenhuma delas me responde com o mesmo entusiasmo. De fato, respondem de forma curta e grossa. Como se fosse crime não ter uma idolatria doentia.

O problema é que não basta se dizer fã de algo ou alguém, você tem que demonstrar. Se durante todos os dias de sua vida, você não dizer que ama o ídolo incondicionalmente, que não poderia viver sem o mesmo e tal, você nunca será uma verdadeira fã. Na visão delas, é assim que funciona. Elas querem mais pessoas doentes para interagir. Admito, sou esquisita. Esquisita ao ponto de escrever uma bíblia e publicá-la no blog só por causa disso. Porém, não serei esse tipo de esquisita que se submete ao ridículo por pouca merda. Peraí, estou fazendo a mesma coisa...

Mas a mensagem é a seguinte: se for pra ler declarações de amor repetidas sempre que abrir aquela porcaria de Tumblr, prefiro continuar sem fandom algum. Como disse Danilo Gentili em uma de suas músicas fracassadas: mantenha-me, por favor, sempre desenformado. Sim, desenformado, não desinformado. Aqui estamos falando de não estar numa forma, e não de estar sem informações.

Falou ae.