Texto postado em Imbecil e Inexperiente no dia 29 de março de 2012.

Sem polêmicas hoje. Hoje o assunto é mais digerível do que não fazer faculdade ou ainda ter hímen. Enfim…

Nasci nos meados dos anos 90. Não me considero uma 90’s kid, afinal, nesta década eu era um bebê. Afirmar isso é coisa de hipster babaca que acha que já é “grandinho”.

Apesar de ter nascido nessa época, minha infância foi preenchida com referências da cultura pop dos anos 60, 70, 80 e 90 (sobretudo estas duas últimas décadas). Passava o dia lendo gibis da Turma da Mônica e do Pato Donald – tanto os antigos quanto os que eram novos na época –, jogando Super Nintendo e Mega Drive, ouvindo Trem da Alegria e Balão Mágico, assistindo Jaspion, Changeman, Beakman, e sonhando em ser a versão feminina do Marty McFly. Eu não usava drogas…

Como citei previamente, joguei muito 16-bits: SNES e Mega Drive. Cresci jogando Mario e Sonic.

Eu gostava do Sonic pra cacete. Lembro até de ter uma meia do ouriço. Apesar de jogar Mario com mais frequência, achava o bicho azul da Sega bem mais carismático e criativo do que o encanador italiano matador de tartarugas – porra, estamos falando de um ouriço AZUL que corre em velocidade supersônica e que confronta um cientista megalomaníaco louco por robôs!

FUCKING EPIC
LULZ


Fora que a causa do Sonic é mais nobre do que a do Mario. O bigodudo da Big N se fode pra salvar a Peach enquanto o Sonic tenta impedir o Robotnik de criar uma utopia robótica. Mas que envergadura moral tem uma pessoa que possui o VHS de “Super Mario Bros. – The Movie” pra criticar o encanador?

O Sonic era foda. Com uma cara de “tô meio mau humorado hoje, bora chutar a bunda do Robotnik”, baixinho, redondinho e colorido, era óbvio que a Sega iria desfrutar do sucesso de um mascote que atraía a atenção da molecada da época.

Não vou comentar sobre toooooda a história do mascote da Sega, porque eu imagino que quem lê este blog já saiba dela.

Tudo ia bem até que…

VOCÊ NÃO É O SONIC, SAI DAQUI

…ESTA MERDA APARECE!

Cara, na boa. Que porra fizeram com o Sonic?

Transformaram um personagem marcante em algo irritante. Fora as cagadas nos jogos, como demorar MAIS pra pegar velocidade, os “turbos”, os ETs meio sem-noção em Sonic Colors…

Tiraram a graça do Sonic, que era correr, correr e correr com uma “física” consistente. Hoje em dia você demora um certo tempo até pegar uma velocidade, destrói uns robozinhos meio toscos e tem que ouvir a voz irritante de “adolescente ultracool” do ouriço, além das fases trazerem aquela maravilhosa sensação de epilepsia…

Não que os novos jogos sejam ruins. São bons, mas não são Sonic – apenas no nome.

Compare
Falaê: qual deles você socaria?


Pense se fizessem isso com o Mario. Tente imaginar o Shiggy dizendo: “Okay, os games estão evoluindo, então vamos fazer nosso mascote entrar na nova geração. Sabe o Mario? Então pega ele, deixa ele meio adolescente e põe uns trejeitos ‘radicais UHUL’. Pronto, agora todo mundo vai amar isso.”

Por falar em Mario, era legal quando havia a rivalidade épica do encanador e do ouriço. Antes era assim: ou você gostava do Mario, ou você gostava do Sonic. Não tinha meio-termo, era 8 ou 80. E depois, o que acontece?

Meu universo tinha explodido na época

No meu universo, onde as coisas funcionam perfeitamente, esta merda NUNCA aconteceria. Muito conveniente fazer os personagens darem um aperto de mão após as campanhas do tipo Genesis does

Se a Sega não tivesse cagado com o próprio mascote (e investido em consoles falhos), talvez não fosse uma softhouse morta-viva. Mas todos sabem que a história não foi bem assim. E pensar que “Sega” já foi um nome de respeito com bons títulos…

Mas, só pra finalizar:

Clássico é clássico, next gen é meu pau de óculos

ISTO É SONIC.