Olá, blog! Quanto tempo! Como você está? Bastante esquecido, como eu esperava… Hã? Estive ocupada com algumas coisas. Ah, você não vai querer saber, a história é muito longa e – O que? Você realmente quer saber o que fiz enquanto você ficou abandonado? Ok. Mas senta, que lá vem história. Muitas histórias, pra falar a verdade. Tantas que vou dividi-las em 4 partes.


Parte I: Tretas Cuidadosamente Calculadas

2012 foi destacado como o meu último ano no Ensino Médio Técnico em Informática. O último chefão da saga de quatro anos era o Trabalho de Conclusão de Curso, vulgo TCC. O professor orientador nos deu a informação de que, no turno da tarde, os alunos somente poderiam fazer o TCC individualmente ou em dupla. A princípio, planejava fazê-lo sozinha – sempre me saí melhor em trabalhos individuais, de qualquer jeito. Eis que uma amiga surgiu com a ideia: “vamos fazer o TCC juntas?”

Aceitei. “Por um lado é até bom, o trabalho será dividido”, pensei. No início das aulas, o orientador “deu um desconto” à turma e não nos apressou com o TCC, afinal, tínhamos acabado de sair de férias sedentárias. Pouco tempo depois ele pediu que fizéssemos, em uma simples folha manuscrita de caderno mesmo, um texto falando sobre nossas ideias para o tema de nossos projetos. A amiga (que aqui vou identificar como Bella Swan; o pseudônimo será explicado neste texto, calm your tits) não se pronunciou sobre o assunto até mais ou menos um dia antes do dia de entrega – que foi quando fiz, sozinha, um rascunho. Faltei no dia de entrega por motivos de saúde, e neste dia ela veio falar comigo no finado MSN sobre o trabalho. Perguntou sobre o que iríamos fazer para o TCC, como se eu fosse a única responsável por isso – o que não deixa de ter um fundo de verdade, já que ela provou ser uma verdadeira anta num futuro próximo. Respondi que já tinha feito e que iria entregar o trabalho ao professor no dia seguinte.

Entreguei, sozinha, o trabalho ao professor. Conversei, sozinha, com o professor sobre o projeto e sua concepção. Ela se interessou? Só perguntou sobre o que era (ah, o tema era uma loja de artigos nerds) e deu uma lida rápida e superficial. Mas fiquei quieta.

Chegou o mês de abril. Nesse tempo, fui me irritando cada vez mais com a irresponsabilidade de Bella. Ela tinha o costume infeliz de chegar atrasada nas aulas e, quando tínhamos que ir ao laboratório de informática, ela literalmente dormia em aula, me deixando responsável por tudo: pesquisa, programação, escrita, web design, fora os trabalhos das outras matérias que ela insistia em fazer comigo. Além disso, Bella não se interessou em momento algum em pesquisar qualquer coisa que fosse sobre os nerds, e em vez de prestar atenção em qualquer coisa que eu dissesse, debochava ridiculamente. Emputeci e, no dia 15, enviei-lhe um e-mail gigante falando sobre a minha insatisfação com o desempenho dela no projeto.

Urgente: TCC e outras coisas pertinentes‏

Ana Caroline

15/04/2012

Para: bellaswantadouocu@hotmail.com

Serei direta: creio que nós não estamos funcionando como equipe de TCC. Nada pessoal, já fizemos outros trabalhos que deram certo, mas agora parece ser diferente.

Eu pensei no tema e o idealizei. Você pediu para que eu explicasse o que é ser nerd; fiz um texto de 2 páginas e lhe enviei por e-mail há semanas, e em nenhuma dessas semanas você o leu. De fato, você disse "depois eu vejo", acabou não vendo, e depois disse que o e-mail não foi recebido. E quando leu, numa aula em que já deveríamos ter apresentado no mínimo metade do que foi solicitado, você meio que se inconformou com o emprego da palavra "universo" no contexto apresentado (que eu creio que você saiba qual é).

Mostrei-lhe os sites da Linux Mall e da Nerd Store. Notei uma atitude sua, quase hostil, quando viu determinadas camisetas das lojas. Mas a sua indignação com a seção de canecas de ambas as lojas foi uma atitude infantil, preconceituosa, desnecessária e, acima de tudo, infundada -- pelo menos na minha concepção. "Se você quiser canecas do site, faça você", aos chiliques? Sinto-me no dever de perguntar:

  1. Qual o problema com canecas?
  2. Qual o problema com fandoms?
  3. Qual o problema com camisetas?
  4. Qual o problema com essa tribo urbana querer espaço na sociedade?
  5. Já fiz mais do que deveria da minha parte (pesquisa, texto escrito especialmente para você entender o que é ser nerd, introdução, avisos sobre trabalhos, etc) enquanto você literalmente dormia em aula. Por que devo me responsabilizar por mais alguma coisa?
  6. O professor só cobrou de mim e, pelo que soube até agora, não lhe dirigiu a palavra. Por quê?
  7. Se você possui algum preconceito contra nerds, por que aceitou desenvolver este tema?
    1. Se você possui algum preconceito contra nerds, por que aceitou minha amizade?

Um "questionário" que talvez seja adiáforo, sim, mas tratando-se de algo sério, é pertinente fazê-lo.

Com essas atitudes você está demonstrando extremo desinteresse e desleixo, deixando transparecer imaturidade para lidar com o tema, pondo em questão sua capacidade para obter o título de Técnica em Informática. E, não obstante, esse comportamento não apenas lhe causa prejuízo, como também me prejudica. Não quero ser responsabilizada pelo que não fiz -- ou melhor dizendo, por coisas que você deixou de fazer.

Agora você pode usar o argumento de que você trabalha e faz curso no turno matutino. Realmente, reconheço que a rotina trabalho-colégio é exaustiva. Porém, existem colegas de turma que também partilham dessa rotina e que, mesmo assim, entregaram seus respectivos projetos antes de nós. Por que conosco deve ser diferente?

Ainda sobre a "rotina trabalho-colégio": sim, trabalhar é importante. Mas lembre-se: você ainda não concluiu o Ensino Médio. Dê valores iguais aos estudos e ao trabalho. Afinal, não é porque você não é remunerada para estudar que você não deve fazê-lo.

Agora, falando de mim...

Modéstia a parte, minha inteligência é notável. Não fiz o Jardim I, o Jardim II, o Jardim III e o Pré, e quase não fiz a 1ª Série -- se eu tivesse mais conhecimentos em Matemática na época, talvez eu já estivesse formada hoje. Sempre fui reconhecida pelo meu raciocínio, minhas idéias e minha criatividade.

Não precisei de altos investimentos em educação: bastou o incentivo de minha mãe para que essa inteligência toda fosse desenvolvida.

Estudei a vida toda em instituições públicas. Da 1ª até a 4ª série, estudei numa escola municipal perto de casa, que era a divisora de águas entre o subúrbio de classe média e a favela, constituída de gente muito simples.

Era uma criança que gostava de ler. Lia tudo o que visse pela frente -- de fato, aprendi a ler antes mesmo de entrar no Jardim I. Aos 6 anos já estudava Inglês por conta própria (aprendendo por meio de videogames; folheando os livros de Inglês do irmão mais velho, que na época finalizava o Ensino Médio e hoje é psicólogo formado pela UFPR e faz mestrado) e já possuía conhecimentos básicos de Física (inércia, termodinâmica, gravidade).

Aos 9 anos, ganhei meu kit de Química. Dos 13 aos 14 anos, escrevia esquetes baseadas no grupo britânico Monty Python. Hoje escrevo, principalmente, stand-up comedy. O meu talento que mais se destacou, desde o início da vida escolar, sempre foi a capacidade de escrever bem, com vocabulário acima da média das pessoas da minha faixa etária.

E, conhecendo de toda essa inteligência e boa escrita, sempre fui adepta da seguinte linha de pensamento: não quero que terceiros sejam beneficiados pelo meu trabalho. Se eu criei algo, é mérito exclusivamente meu e de mais ninguém. Apenas estou frisando isso pois, na aula em que vimos os TCCs prévios ao nosso, identifiquei vários erros -- na minha opinião, crassos -- nos trabalhos, e você disse que não teria que se preocupar em ter um TCC ruim, pois eu faria uma boa edição.

Se eu fizer o projeto inteiro, o projeto inteiro será meu. Se você fizer o projeto inteiro, o projeto inteiro será seu. Se ambas fizerem suas partes, o projeto será nosso.

Pensando nisso, proponho:

  1. Separação da equipe, sem motivos pessoais, a fim de evitar possíveis desentendimentos (ficando eu com o projeto Doctor Nerd);
  2. Continuar com a equipe e com o mesmo projeto, dedicando-se a este;
  3. Continuar com a equipe, mas com outro tema.

Antes de tomar qualquer decisão, precisamos entrar em um consenso e pedir orientação ao professor e, se necessário, à orientadora.

Peço que reflita neste email de forma racional, deixando de lado subjetividades. Continuamos amigas, assim espero.

Atenciosamente,

Ana.

Sim, fiz questão de parecer “pomposa” no e-mail. Se for pra cobrar, que seja com classe! E olha que não usei todo o meu grau de instrução pra deixar a Swanta no chinelo. Fora que, se ela desse algum piti, eu poderia imprimir o e-mail e encaminhá-lo à orientação.

Passaram-se dias e nada dela comentando sobre o e-mail. Vi que ela estava online no MSN e perguntei se ela tinha recebido um e-mail meu. Ela negou, e então fiz a mordomia de copiar o e-mail e repassá-lo a ela em .doc. Ela finalmente leu a bagaça. Pediu desculpas, se redimiu e prometeu se dedicar ao máximo. Mas todos sabem que a prática é bem diferente da teoria… E ela prosseguiu cometendo os mesmos erros.

Toda vez que ela tentava (repito: tentava) fazer algo eu tinha que refazer, porque os erros eram muito óbvios para mim. Erros na ortografia, pontuação, programação, pesquisa… Não tinha uma coisa que ela fizesse que eu não corrigisse depois. E isso, para uma pessoa quase perfeccionista como eu, é o inferno na Terra. Ela começou a botar culpa na rotina exaustiva dela de trabalho, colégio, academia e namorado problemático. E é aqui, leitor paciente e imaginário, que explico porque me refiro a ela como Bella Swan.

A Bella Swan de Crepúsculo apresenta-se como uma garota sem personalidade própria, completamente dependente de não apenas uma figura masculina problemática, mas duas. Sem atrativo algum, vive de fazer as vontades do companheiro. Mesmo após ganhar certos “poderes”, continua sendo um dos piores exemplos de figuras femininas. Só existem duas diferenças entre a Bella Swan de Stephenie Meyer e a Bella Swan deste texto: a) a segunda infelizmente existe; e b) a segunda é uma garota promíscua hipócrita.

Lembra de um texto que postei aqui em dezembro, que falava basicamente sobre hipocrisia e vadias? Então… O texto foi inspirado na Bella Swan! TA-DA!

Além de fazer aquilo que citei no texto, ela também tinha fama de vagabunda no colégio. Não apenas fama, como também trejeitos. Sabe aquela pessoa que só de longe você já percebe a promiscuidade fluindo pelos poros, mesmo se fazendo de santa? E o pior: insistia que eu e nossas amigas fôssemos como ela. Não insistia diretamente, mas indiretamente, como a boa hipócrita que era. Sempre nos dizia coisas como “Por que você não fica com Fulano?”, “Vou te apresentar uns gatinhos” e “Aff, você tá muito sozinha” (estas duas últimas quase me faziam vomitar, como demissexual; falando nisso, posso postar um texto falando sobre).

E ela era extremamente estúpida. Uma vez, quando precisei falar com ela sobre o TCC no MSN, ela ficou online no Facebook e com o status ocupado no MSN, mas não me respondia. No outro dia me disse: “É que a minha placa de rede queimou.” Isso porque cursávamos Técnico em Informática.

O tempo passou, os últimos meses do ano chegaram, o projeto ainda estava muito atrasado em relação aos outros projetos da turma, e ela continuava agindo da mesma forma. E o pior: chegou a faltar quase uma semana inteira, não cumpriu seus deveres e muito menos me deu alguma satisfação.

A essa altura, talvez o leitor imaginário pergunte: “Ana, se você estava tão irritada com a situação, por que não fez nada?”

Acredite, querido leitor inexistente: eu tinha um plano. Claro que isso teve um preço caro (minha paciência), mas funcionou exatamente como eu queria.

Aproveitei aquela quinta-feira fatídica a qual ela não tinha comparecido e conversei seriamente com o professor orientador, com o qual tinha várias aulas no dia. Ele concordou com o que disse e recomendou que eu avisasse a orientação sobre o assunto o mais rápido possível, afinal, já era outubro e os prazos da entrega final e das apresentações se aproximavam rapidamente, portanto, quanto mais rápido nós desmanchássemos a equipe, mais tempo ela teria para se dedicar ao novo projeto. Mas… eu realmente não queria criar nenhuma comodidade para ela. Não mesmo.

Esperei mais uma semana se passar (sim, ela ainda estava faltando, sem dar sinal de vida). Nesse tempo, era comum vê-la online no chat do Facebook, compartilhando coisas inúteis, sem falar comigo. Permaneci quieta justamente para pegá-la de surpresa.

 

        • Ana Managuchi

          Hey

        • 19:57

          Bella Swanta

          oie =)

        • 19:58

          Ana Managuchi

          Vi o TCC que você mandou hoje

        • 20:07

          Bella Swanta

          t mandei terça e quarta , ai vc n respondeu

          ai mandei hj d novo

        • 20:08

          Ana Managuchi

          Não, você não mandou

        • 20:08

          Bella Swanta

          sim , eu mandei

        • 20:09

          Ana Managuchi

          Não mandou

          Já vi todas as pastas do email e não tinha nada lá

          Só hoje

        • 20:17

          Bella Swanta

          eu mandei ! se n chegou n posso fazer nada

          vc podia ter me avisado q n tinha recebido

        • 20:23

          Ana Managuchi

          Sim, e você também nem pra avisar que mandou email

          E como eu ia avisar que não recebi? Duh!

          Aliás, abri o arquivo e vi que a data de criação dele é de 18/10, salvo às 7h46

          Seria mais fácil admitir que não fez o TCC nessas semanas ¬¬

E aí, teve início a discussão mais entediante e estúpida que já tive até então. Selecionei as partes mais memoráveis da conversa:

 

      • Bella Swanta

        nossa eu só tirei o suplinhado q tinha numa das palavras no meio do texto q só hj q notei q eu n tinha tirado ainda

        só tinha salvo d novo

        --'

        fiz faz séculos isso já

        vc deveria perguntar ants d sair falando sem saber

      • 20:28

        Ana Managuchi

        Sim... E aquela desculpa do pendrive que não pega também foi genial

        Aliás, grande coisa que você fez no TCC

        Estragou a introdução, copiou quase um texto todo da Wikipédia, deixou um hiperlink

        Genial

Ana Managuchi

 

Veja bem, só pra citar de exemplo

Uma das versões passadas do TCC foi criada no dia 06/09 e foi MODIFICADA no dia 12/09. O Windows dá esse tipo de informação.

Se você tivesse criado esse arquivo há semanas atrás, o Windows TRARIA essa informação.

Mas não. Ele foi criado e modificado HOJE.

E como você ia me mandar um email semanas atrás com um arquivo que foi criado hoje? Vai explodir o universo com esse paradoxo temporal

 

      • Bella Swanta

        foi o q o prof falou p/ colocar

        seguinte , hj eu n to no meu melhor humor

        to cheia d coisa p/ resolver

        e n vou ficar me explicando p/ vc

        é o seguinte

        me mande as páginas do site

        q eu terminosozinha

        fim d história

      • 20:44

        Ana Managuchi

        E você acha que eu ligo? Todo mundo tem ocupações e problemas na vida, senhorita "Sou Ocupada Demais Pra Fazer Qualquer Coisa Direito".

 

      • Bella Swanta

        a qstao é q n é um trabalho qlqr

        é tcc

        falta um mes praticament p/ apresentação

        n tem essa d acabar com equipe

        agent tá junto nessa

        e eu to falando q termino isso sozinha

        eu tambm ajudei a fazer o trabalho

        eu tambm tenho parte isso

        tá q n é tao grand qnto a sua

        mas eu ajudei

        o trabalho tambm é meu vc querendo ou n

        e eu termino ele até essa segunda sozinha

        só qro as paginas p/ fazer igual

        simplesmente isso

      • 21:05

        Ana Managuchi

        Ah, estamos juntos? Até o primeiro esboço do site fui eu que fiz...

        E ajudou aonde? Pesquisando imagens no Google? Grande ajuda, clap clap clap

        Also, só porque o seu nome aparece no trabalho não significa que você tenha feito algo

 

      • Ana Managuchi

        "Eu fiz, mimimi, porque o trabalho é meu, blá-blá-blá Whiskas sachê"

        Isso não vai vencer os argumentos que falei

        Não mesmo

      • 21:53

        Bella Swanta

        eu fiz simples asssim

      • 21:54

        Ana Managuchi

        Sim, e eu sou a Rainha Elizabeth

 

      • Bella Swanta

        eu fiz , e falei q faço td ate esse segunda

        só preciso das paginas injicias p/ fazer igual

      • 21:56

        Ana Managuchi

        Poupe tempo e arranje outro tema

        Fica a dica

      • 21:57

        Bella Swanta

        eu vou fazer o site e t entrego segunda

        me mande só as páginas

      • 22:15

        Bella Swanta

        ana, me passe as paginas

      • 22:23

        Bella Swanta

        ana

        me mande as páginas

      • 22:36

        Bella Swanta

        da p/ falar comigo

      • 22:39

        Ana Managuchi

        Não

Como dá pra notar, perdi o saco de repetir os 1000 argumentos pra Swanta em alguns momentos. Ela poderia ter descomplicado a situação, admitindo não ter feito nada. Mas não! Mesmo sem saída, preferiu bater na mesma tecla. Uma das principais regras para uma boa argumentação é saber admitir estar errado, quando for o caso. E isso, aparentemente, Bella Swan não consegue fazer.

Long story short: na outra semana, ela teve a pachorra de chamar a mãe dela no colégio para falar com a orientadora. Se estivéssemos no Ensino Fundamental, isso seria lógico. Mas não era o caso: estávamos no 4º ano do Ensino Médio Técnico em Informática, for crying out loud! Todos da turma já tinham 18 anos (menos eu, que adiantei um ano na escola), inclusive ela. O fato de Bella ter chamado a mãe pra tentar resolver o problema apenas demonstrou uma enorme imaturidade da parte dela – e tanto a orientadora quanto o professor orientador dos TCCs perceberam isso.

Bella Swan não apenas foi imatura de ter feito isso, como também alegou que eu praticava bullying contra ela. Ah, Senhor, por onde começo?

  • Erro 1: seria mais fácil acreditar que EU sofria bullying, e não ela. Eu, não apenas sendo negra, mas também sendo retraída, impopular, de aparência peculiar e “temperamento forte” (leia-se: “sou do jeito que sou e não ligo se só falo com 7 pessoas num colégio de 3000 alunos, minhas opiniões são essas, lide com isso”); e ela, garota sociável, “normal” (leia-se: “criatura comum e, portanto, sem graça”) e conhecida na turma por dar pitis por pouca merda… Não que eu me considere “especial” por ser negra, MUITO pelo contrário. Não me importo com etnias (a propósito, cotas são uma merda). Mas nesse contexto, quem seria o alvo mais crível para a prática de bullying? A “normalzinha” Bella Swan, ou a Ana freakazette aqui?
  • Erro 2: se ela sofria tanto bullying assim, por que não avisou à orientação antes, em vez de falar sobre isso num momento de “apuros”?
  • Erro 3: se ela sofria tanto bullying assim [+1], por que ela nunca desgrudava de mim, me pedia conselhos e – pasme! – até orientação médica? Não estou brincando. Ela me perguntava se estava grávida ou não, se ela deveria terminar com o namorado, se era normal ter corrimento, se ela deveria tomar algum anticoncepcional para regular o ciclo menstrual… Ou seja: além de psicóloga, ainda fui ginecologista da infeliz! Mas graças a Deus não a examinei. Cruzes!
  • Erro 4: ela esqueceu das nossas duas amigas (uma delas, aliás, é minha vizinha, e a outra já chegou a discutir com a Bella), que sempre andavam conosco. Elas iriam desmentir essa baboseira de bullying, afinal, elas eram testemunhas perfeitas.

O curioso é que Bella estava tão convicta de seus “argumentos” que preferiu falar sobre isso a sós com a orientação… Após isso, a orientadora me chamou para falar sobre o assunto, a sós. Tendo todas essas cartas na manga, abri o jogo. Tanto a orientadora quanto o professor acreditaram dez vezes mais na minha história, do que na estória da Bella Swan (percebe a diferença?). A orientadora, aliás, até disse que fui solícita. Ela, inclusive, tomou nota de tudo o que contei, e pediu para que eu assinasse o documento. Assinei com o orgulho e a integridade que só uma pessoa de consciência limpa conhece. Ah, e um pequeno detalhe: fiz tudo isso sozinha, sem a ajuda da minha mãe, que ficou sabendo da situação depois que tudo foi resolvido. Slow clap for you, Bella.

Bella Swan, todavia, não foi punida pelo colégio, já que era a primeira vez em que algo do tipo acontecia ali, portanto, não haviam normas para a situação. Mas isso não a impediu de sentir um gosto amargo no final.


Fim da Parte I