Não sei se vocês sabem, mas por incrível que pareça, a pessoa que vos escreve sempre foi bastante quieta, ainda que os meus longos textos demonstrem o contrário. Desde pequena ouço frases como “Você é tão quietinha!”, “Fale alguma coisa!”, “Você é de poucas palavras, hein?” e derivadas.

Seria um tipo de timidez? Raramente me sinto tímida. A minha quietude deriva-se de um princípio muito simples, que pratico desde sempre: se eu não tiver nada para dizer, então, não direi nada. Simples e lógico. Muitas vezes me encontro deixando conversas perecer. Colegas de trabalho sendo amigáveis comigo no ônibus, e eu ali, raramente dizendo algo, ocasionalmente mexendo a cabeça ou erguendo a sobrancelha esquerda, só para demonstrar que estou ouvindo o que as pessoas estão falando. Manter uma conversa é uma tarefa complexa. Claro que consigo puxar assunto com pessoas próximas, mas em outras ocasiões? Pfft. Não é medo de não dizer algo bom, medo da reação das pessoas, ou ainda, medo de qualquer coisa. É o simples ato de manter-se calada, e ponto.

Como raramente digo alguma coisa, então, a resposta para isso é a escrita. Por isso castigo este blog com textos gigantes. Ainda desconheço a causa desse silêncio todo, mas tenho minhas hipóteses. Uma delas indica que a origem disso tudo vem do fato de a minha letra ser, no mínimo, 10 vezes mais bonita do que a minha voz. A outra hipótese aponta que o ponto de partida está no meu falar esquisito: falo rápido demais, gaguejo e acabo por ter que repetir toda a frase. Talvez as duas hipóteses estejam corretas.

Além disso, tenho o costume de fazer introspecções e pensar em mil coisas enquanto olho pro além, e sempre tenho algo em mãos – meu celular, uma caneta, um livro, até minhas chaves. Me distraio fácil, fácil.

Já tive vários colegas, tanto de escola como de trabalho. Todos diziam o mesmo, até tentavam puxar assunto, mas quase nada saía de mim. Uma ex-colega de trabalho me descreveu como uma almofada: geralmente fico sentada num canto, muda, como se fosse um objeto de decoração do ambiente.

 

Todos esses fatores me fizeram me identificar bastante com um dos meus maiores ídolos, o Rowan Atkinson. Sempre admirei o cara, desde criança, mas a admiração foi intensificada de uns tempos pra cá, quando comecei a pesquisar outros trabalhos dele e entrevistas. Tipicamente inglês e introvertido, além de ser um gentleman, são dele as frases “De modo geral, tenho uma tendência a ser quieto e introspectivo e “Sou essencialmente uma pessoa bastante quieta e sem graça que passa a ser um ator”. Tirando a minha falta de talentos, pode-se dizer que qualquer semelhança é mera coincidência. Se ele não estivesse beirando os 60 anos, com certeza alguém aqui já estaria casada. Apesar que o Rowan já interpretou o Doutor uma vez, eu poderia usar a TARDIS, voltar uns 30 anos e BADABOOM, nova esposa

<3 (desculpa pelo selo do 9gag)
<3 (desculpa pelo selo do 9gag)

Enfim…

 

O que me fez escrever este texto foi uma conversa que tive na quinta-feira, 26/09. Fui ao reumatologista para uma consulta de rotina. Eis que a minha vida resolve ter set-up e punchline:

Doutor: E você, como vai?
Ana: Tô bem.
Doutor: Você é meio monossilábica, né?
Ana: É…
BA DUM TSSSS